O chavão no jornalismo ambiental é quase sempre ecologicamente incorreto. Feito água e óleo, não se misturam. Ou pelo menos, não deveriam, a fim de não poluir tanto o oceano quanto o seu trabalho. Para não agredir a natureza, o texto pede a extinção do lugar-comum. Nesta área, por exemplo, não se mata dois coelhos com uma cajadada só, nem se engole sapo, ou se quebra galho, muito menos se em cada um deles tiver um macaco.
"O jornalista engajado com o meio ambiente prefere dois
pássaros voando a um na mão"
Responsável, o repórter verde não deve matar um leão por dia. Precisa, sim, saber o que está fazendo, para não ficar vendo chifre em cabeça de cavalo. Aí pode dar até zebra e, convenhamos, sempre pega mal pagar um mico. Nunca bote lenha na fogueira e, caso haja fumaça, é melhor que não tenha fogo. Já o rio, tudo bem, pode correr sempre para o mar, mesmo que ele não esteja para peixe. Como um bom escoteiro, é preciso olhos de águia para ver que, se desse mato sair alguma coisa, ótimo. Não há problema em ser um amigo da onça, desde que nunca a cutuque com vara curta, especialmente na hora dela beber água. O chefe é uma víbora? Paciência, saiba que hoje você é a caça, porém haverá um dia do caçador. O jornalista engajado com o meio ambiente prefere dois pássaros voando a um na mão e acha errado não se olhar os dentes de um cavalo, mesmo dado. Ao sabor do vento, anda sempre com a cabeça erguida, com a consciência tranqüila do dever cumprido, ciente de que não deixou a vaca ir para o brejo. É claro que vez ou outra haverá uma pedra no meio do caminho, mas nada melhor que um dia atrás do outro para ele perceber que uma andorinha só, pode sim, fazer verão.

2 comentários:
Foi o que eu mais curti. Você e sua imaginação fértil. Teve até direito a autógrafo =)
muito bom...! amei!
Postar um comentário